9 de julho: o feriado paulista e a força das mulheres na Revolução de 1932

No dia 9 de julho, o estado de São Paulo celebra a Revolução Constitucionalista de 1932 — um movimento armado que marcou a cidade como símbolo da luta pela democracia e pela convocação de uma nova Constituição.
Embora muitos associe a revolta apenas aos homens em armas, estima-se que cerca de 72 mil mulheres tiveram participação ativa, em frentes de apoio e até combate. Este post homenageia essas figuras essenciais, muitas delas quase invisíveis na história oficial
⚔️ Por que 9 de julho é feriado?
A Revolução Constitucionalista começou como reação à centralização do governo de Getúlio Vargas, que assumiu o poder em 1930 sem convocar uma assembleia constituinte. Paulistas exigiam autonomia e legalidade.
O conflito foi deflagrado em 9 de julho de 1932, com voluntários civis e militares enfrentando tropas federais por três meses. Apesar da derrota militar em outubro, o movimento levou à convocação da Assembleia Constituinte de 1933 e à promulgação da Constituição de 1934 . Em 1997, o feriado foi oficialmente instituído no estado para lembrar essa mobilização pela democracia .
As mulheres na Revolução: mais do que suporte
Cerca de 72 mil mulheres atuaram na Revolução de 1932 — muitas como enfermeiras, cozinheiras, líderes de imprensa, organizadoras comunitárias e até combatentes.
🌟 Mulheres que fizeram história:
- Maria Stela Rosa Sguassábia (Araraquara, SP): se disfarçou de homem e lutou nas trincheiras como “Mário Sguassábia”; virou símbolo de bravura feminina.
- Carlota Pereira de Queirós: médica e primeira deputada federal do Brasil; organizou grupos de apoio aos feridos.
- Maria José Bezerra (Maria Soldado): mulher negra, nascida em Limeira, se alistou como homem, lutou em Itararé e cuidou dos feridos como enfermeira voluntária. Sua identidade só foi revelada após ser ferida em combate. Tornou-se um ícone esquecido da Revolução e teve seus restos mortais depositados no Obelisco do Ibirapuera.
👥 Genealogia de coragem: mulheres que marcaram épocas
Embora nem todas tenham sido documentadas, essas mulheres foram fundamentais na mobilização cívico-militar, deixando um legado invisível em termos oficiais, mas indelével na memória da família e da sociedade.
Participaram de apoio logístico, cuidados médicos, impressão de boletins e até fabrico de armas — como no caso de Maria Teresa Silveira de Barros Camargo, produtora de periódicos e munições para os revolucionários de Limeira .
🎟️ Curiosidades:
- A sigla MMDC — composta pelos nomes de quatro estudantes mortos (Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo) — tornou-se símbolo do movimento .
- O Obelisco do Ibirapuera abriga os restos mortais desses heróis e serve de ponto central nas homenagens anuais .
- As manifestações hoje incluem desfiles cívico-militares, cerimônias de flores e memoriais nos municípios paulistas .
🧬 Por que isso está no blog Família Rolim?
No Família Rolim, valorizamos narrativas históricas que conectam famílias, coragem e causas coletivas. A participação feminina na Revolução de 1932 representa uma genealogia de bravura, que atravessa o tempo invisível em lares e memórias — especialmente de famílias paulistas com ancestralidade direta ou indireta no movimento.
Resgatar essas mulheres é resgatar valores e histórias que moldaram nossa identidade.