Família Polli: Da Itália ao Paraná no Século XIX

Descubra a trajetória da família Polli desde a saída do Vêneto em 1877 até a fixação no Paraná, passando por Colombo e Imbituva.

Por Mila Rolim ·

Família Polli: Da Itália ao Paraná no Século XIX

A família Polli chegou ao Brasil em outubro de 1877, desembarcando no porto de Paranaguá sob a liderança espiritual do Padre Angelo Cavalli. O casal Giuseppe Poli e Caetana Rissi partiu da província de Vicenza, na região do Vêneto, para estabelecer raízes definitivas nas colônias agrícolas do estado do Paraná.

Qual é a origem geográfica da família Polli na Itália?

A família Polli tem origem documentada na comuna de Salcedo, situada na província de Vicenza, região do Vêneto, no norte da Itália. Essa localidade alpina enfrentou severas crises econômicas e agrícolas na segunda metade do século XIX, motivando milhares de camponeses a buscar oportunidades nas Américas.

Giuseppe Poli, nascido por volta de 1825, e Caetana Rissi, nascida por volta de 1827, decidiram emigrar quando já estavam na faixa dos cinquenta anos de idade. A decisão de cruzar o Oceano Atlântico em idade madura demonstra a busca por segurança patrimonial e melhores condições de vida para os filhos pequenos.

Na documentação original italiana, o sobrenome aparece frequentemente grafado como Poli, forma de patronímico comum no norte italiano associada ao nome próprio Paolo. Ao longo do processo de fixação no Brasil e dos registros paroquiais e civis, a forma Polli consolidou-se em vários ramos familiares.

Como ocorreu a chegada da família Polli ao porto de Paranaguá em 1877?

A chegada da família Polli ao Brasil ocorreu entre os dias 16 e 17 de outubro de 1877 no porto de Paranaguá, litoral do estado do Paraná. O grupo fazia parte de uma grande comitiva de imigrantes vênetos organizada e orientada espiritualmente pelo sacerdote católico Padre Angelo Cavalli.

O núcleo familiar desembarcado em Paranaguá era composto pelos seguintes membros:

  • Giuseppe Poli: patriarca, então com 52 anos de idade;
  • Caetana Rissi: matriarca, então com 50 anos de idade;
  • Giovanni Poli: filho, com 13 anos de idade;
  • Basilio Poli: filho, com 9 anos de idade;
  • Angela Poli: filha, com 5 anos de idade;
  • Elizabetta Poli: filha, com 1 ano e meio de idade.

Após o desembarque em Paranaguá, o grupo seguiu inicialmente para a Colônia Nova Itália, no município de Morretes, na base da Serra do Mar. A permanência em Morretes estendeu-se até 15 de julho de 1878, data em que os imigrantes subiram a serra rumo ao planalto curitibano.

Como se deu o estabelecimento na Colônia Alfredo Chaves em Colombo?

A fixação definitiva no planalto ocorreu na Colônia Alfredo Chaves, núcleo colonial fundado em 1878 que mais tarde recebeu o nome oficial de Colombo em homenagem ao navegador Cristóvão Colombo. Na nova localidade paranaense, Giuseppe Poli e Caetana Rissi ampliaram a família com o nascimento de mais três filhos em solo brasileiro: Ursola, José e Pedro.

Giovanni Poli, que no Brasil passou a ser registrado formalmente como João Polli, contraiu matrimônio na Igreja Matriz de Curitiba com Pierina Lazarotto. Pierina era imigrante italiana natural da comuna de Valstagna, província de Vicenza, e filha do pioneiro Pietro Lazarotto.

A união entre João Polli e Pierina Lazarotto gerou seis filhos:

  • Geronimo Polli;
  • Antonio Polli;
  • Luiz Polli;
  • José Polli;
  • Caetano Polli;
  • Ercilia Polli.

A família dedicava-se à vitivinicultura na colônia. Essa primeira fase encerrou-se tragicamente quando Pierina Lazarotto sofreu graves queimaduras em um incêndio ocorrido na vinícola da propriedade, falecendo poucos dias após o acidente. Posteriormente, o viúvo João Polli casou-se com Francisca Maria Ribeiro, gerando novos filhos, entre os quais Vicente e Olivio.

Como o ramo de Luiz Polli migrou para Imbituva no Paraná?

O ramo de Luiz Polli estabeleceu-se no município de Imbituva após o jovem deixar Colombo ainda na infância para residir com seu tio materno, Antonio Lazarotto, na Colônia Boa Vista. Em razão da distância e dos meios de comunicação da época, o jovem perdeu temporariamente o contato regular com o pai e os irmãos.

No município de Imbituva, Luiz Polli casou-se com sua prima Filomena Lazarotto. Dessa união nasceram três filhos que deram continuidade à linhagem local:

  • João Polli (conhecido como Joanim);
  • Antonio Polli (conhecido como Tonico);
  • José Pedro Polli (conhecido como Beppe).

O filho Antonio Polli (Tonico) casou-se em primeiras núpcias com Aurora Taborda, com quem teve o filho José Osires Polli. Após o falecimento prematuro de Aurora, Antonio contraiu segundas núpcias com Aurea Giovanetti, gerando nove filhos: Renilda, Rosilda, Luiz Antonio, Roseli, João Carlos, Gilberto, Margaret, Elizabet e Alvaro.

Onde encontrar registros e documentos da família Polli no Brasil e na Itália?

A pesquisa genealógica da família Polli requer consultas coordenadas entre arquivos paranaenses e paróquias italianas da região do Vêneto. Para certidões de batismo, casamento e óbito dos primeiros imigrantes, as seguintes fontes documentais são fundamentais:

  1. Paróquia de Salcedo (Vicenza, Itália): custódia dos livros paroquiais de batismo de Giuseppe Poli, Caetana Rissi e dos quatro filhos nascidos na Itália entre 1864 e 1876;
  2. Arquivo Público do Paraná (DEAP): listas de bordo de vapores e registros de entrada de imigrantes no porto de Paranaguá em outubro de 1877;
  3. Cúria Metropolitana de Curitiba e Paróquia Senhor Bom Jesus de Colombo: assentos de matrimônio de João Polli com Pierina Lazarotto e batismos da segunda geração paranaense;
  4. Registros Paroquiais e Cartórios de Imbituva: habilitações matrimoniais e certidões civis de nascimento da descendência de Luiz Polli e Antonio Polli.

A preservação da memória documental assegura o resgate da trajetória dos pioneiros de Salcedo que transformaram a agricultura e a cultura do Paraná a partir do século XIX.

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