O que é genograma e como criar o seu passo a passo

Descubra o que é genograma, aprenda a mapear vínculos e padrões familiares com a simbologia correta e crie a representação gráfica da sua história.

Por Mila Rolim ·

O que é genograma e como criar o seu passo a passo

O genograma é uma representação gráfica detalhada da árvore genealógica de uma família que registra pelo menos três gerações de informações biológicas, médicas e relacionais. Criado pelo psiquiatra norte-americano Murray Bowen nas décadas de 1960 e 1970 no âmbito da Teoria dos Sistemas Familiares, esse diagrama utiliza símbolos padronizados para evidenciar padrões de comportamento, condições de saúde e a qualidade dos vínculos entre os parentes.

Qual é a diferença entre árvore genealógica e genograma?

A árvore genealógica convencional registra principalmente os dados factuais de parentesco, como nomes, datas de nascimento, casamentos e falecimentos ao longo das gerações. O objetivo central da árvore genealógica é mapear a linhagem biológica e documental dos antepassados, servindo como base histórica e jurídica para a pesquisa de raízes familiares.

O genograma vai além dos dados demográficos ao incluir a dinâmica emocional, os eventos críticos de vida, as doenças hereditárias e os tipos de laços afetivos entre os indivíduos. Enquanto a árvore tradicional responde a quem foram os seus antepassados, o genograma explica como esses indivíduos se relacionavam e quais padrões psicológicos ou físicos continuam repercutindo nos descendentes atuais.

Entre as principais diferenças estruturais, destacam-se:

  • Objetivo: a árvore genealógica foca no resgate histórico-documental, enquanto o genograma foca em dinâmicas relacionais, heranças emocionais e histórico de saúde.
  • Profundidade: o genograma trabalha tipicamente com três a quatro gerações detalhadas, ao passo que a árvore genealógica busca alcançar o maior número possível de séculos no passado.
  • Simbologia: o genograma emprega linhas de conexão específicas para representar conflitos, alianças, distanciamentos e abusos, elementos ausentes na árvore clássica.

Quais são os principais símbolos utilizados em um genograma?

Os símbolos do genograma constituem uma linguagem visual universal padronizada pelos terapeutas familiares Monica McGoldrick e Randy Gerson em 1985. O uso correto desses elementos gráficos garante que qualquer profissional de saúde ou pesquisador interprete a estrutura familiar de maneira rápida e precisa.

As figuras geométricas básicas definem o gênero e o status biológico de cada integrante da família:

  • Quadrado: representa o indivíduo do sexo masculino.
  • Círculo: representa o indivíduo do sexo feminino.
  • Quadrado ou círculo duplo: identifica o paciente identificado (a pessoa foco da análise).
  • X no interior da figura: indica pessoa falecida, acompanhada do ano de morte sobre a figura.
  • Triângulo: indica aborto ou gravidez interrompida.

As linhas de união horizontal descrevem as relações conjugais: uma linha contínua representa casamento oficial, uma linha tracejada indica união estável, uma barra diagonal sobre a linha marca separação de fato e duas barras diagonais sinalizam divórcio legalizado.

As linhas de relacionamento emocional conectam as figuras geométricas no sentido vertical ou diagonal para detalhar o clima afetivo:

  • Três linhas retas paralelas: relação excessivamente unida, fusionada ou simbiótica.
  • Duas linhas retas paralelas: relação próxima e harmônica.
  • Linha pontilhada: relação distante ou com pouco contato.
  • Linha em zigue-zague (ondulada): relação conflituosa ou de atrito frequente.
  • Linha cortada ao meio por traço perpendicular: corte afetivo ou rompimento total de vínculo.

Como coletar as informações para montar o seu genograma?

A coleta de informações para o genograma exige entrevistas com parentes próximos, consulta a registros civis e compilação de históricos médicos de diferentes ramos familiares. Para que a análise revele tendências consistentes, a recomendação metodológica é investigar no mínimo três gerações completas: a sua própria, a dos seus pais e a dos seus avós paternos e maternos.

Durante as conversas com familiares, priorize perguntas voltadas a acontecimentos marcantes e padrões recorrentes:

  1. Fatos biográficos: datas exatas de nascimentos, casamentos, separações, migrações e mortes em cidades específicas.
  2. Histórico de saúde: incidência de doenças crônicas como diabetes, cardiopatias, depressão, dependência química ou demência nos antepassados.
  3. Transições e perdas: mortes prematuras de crianças, falências financeiras repentinas ou perdas traumáticas que impactaram o núcleo familiar.
  4. Papéis e legados invisíveis: quem era considerado o provedor, o cuidador abnegado ou a ovelha negra da família ao longo dos anos.

Documentos como certidões de óbito arquivadas em cartórios de registro civil, prontuários hospitalares e cartas antigas fornecem datas exatas e causas mortis que a tradição oral muitas vezes altera ou omite.

Como criar o seu genograma passo a passo

A construção prática do genograma segue uma ordem estruturada, partindo do indivíduo central até os ramos mais antigos dos troncos familiares. A clareza visual depende de manter os pares ordenados por idade, com o filho mais velho sempre posicionado à esquerda e os mais novos dispostos em ordem cronológica para a direita.

  1. Posicione o indivíduo central: desenhe um quadrado ou círculo duplo na parte inferior da folha ou tela digital, indicando seu nome e idade atual dentro da figura.
  2. Adicione a geração dos pais: desenhe o pai (quadrado) à esquerda e a mãe (círculo) à direita no nível intermediário, conectando-os por uma linha horizontal de casamento.
  3. Insira irmãos e cônjuges: trace linhas verticais descendo da linha conjugal dos pais para representar você e seus irmãos, organizando os nascimentos da esquerda para a direita.
  4. Mapeie a geração dos avós: desenhe os avós paternos acima do pai e os avós maternos acima da mãe, conectando cada casal pelas respectivas linhas de união e anotando anos de nascimento e falecimento.
  5. Inclua os dados médicos e biográficos: registre diagnósticos de saúde relevantes, profissões marcantes e causas de falecimento logo abaixo da figura geométrica de cada membro.
  6. Trace as linhas relacionais: use as convenções gráficas de McGoldrick e Gerson para desenhar os vínculos harmônicos, conflituosos, distantes ou rompidos entre os indivíduos analisados.

Quais ferramentas utilizar para desenhar o genograma?

O genograma pode ser desenhado tanto de forma manual em papel sulfite quanto por meio de softwares especializados que automatizam o alinhamento das linhagens e a aplicação dos símbolos. A escolha da ferramenta depende do objetivo final, seja ele o autoconhecimento, a pesquisa genealógica ou o acompanhamento terapêutico profissional.

  • GenoPro: software para computadores com sistema Windows voltado especificamente para a criação de genogramas detalhados, permitindo incluir registros médicos, fotos e relatórios completos de relacionamentos.
  • Canva ou Lucidchart: plataformas de design vetorial baseadas em navegador que oferecem formas geométricas flexíveis para quem deseja desenhar genogramas personalizados sem necessidade de programas complexos.
  • Papel e canetas coloridas: método tradicional recomendado para o rascunho inicial durante entrevistas com familiares, facilitando anotações rápidas e correções imediatas de dados orais.

Ao concluir o mapeamento, guarde uma cópia digital dos seus registros e cruze as informações levantadas com as certidões documentais da sua família, transformando o genograma em uma ponte sólida entre a pesquisa de antepassados e o entendimento das suas próprias origens.

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